Comprar um imóvel é a maior decisão financeira da maioria dos brasileiros — e também a mais mal planejada. Muita gente se endivida por 30 anos sem entender direito o que está assinando. Este guia vai mudar isso: você vai entender como funciona o financiamento, quanto realmente custa e o que fazer antes para conseguir as melhores condições.
Antes de pensar em financiamento, verifique sua base financeira. Seu score de crédito vai determinar a taxa de juros que você paga — a diferença entre um score de 600 e 800 pode significar R$ 50.000 a mais ou a menos em juros num financiamento de 30 anos. E se ainda tem dívidas de alto custo, quite-as antes de comprometer renda com financiamento.
Antes de financiar: o que você precisa preparar
1. Score de crédito acima de 600
Score baixo dificulta a aprovação e eleva a taxa de juros. Se seu score está abaixo de 600, trabalhe para melhorá-lo antes de solicitar o financiamento — o impacto nos juros vale muito o tempo investido. Para estratégias práticas, veja como aumentar o score de crédito.
2. Entrada mínima de 20%
O mínimo pelo SFH é 20% do valor do imóvel. Quanto maior a entrada, menor a parcela e menos juros você paga. Construa essa reserva com disciplina — veja como investir mensalmente para acumular o valor da entrada.
3. Parcela dentro de 30% da renda
Os bancos aprovam financiamentos onde a parcela não ultrapassa 30% da renda familiar bruta. Se a parcela for maior, você provavelmente não terá aprovação — ou será aprovado com valor menor.
4. Documentação organizada
- RG, CPF e comprovante de residência
- Comprovante de renda (últimos 3 contracheques ou declaração de IR)
- Extrato do FGTS
- Certidão de nascimento ou casamento
Como funciona o financiamento imobiliário
O banco empresta o dinheiro para você comprar o imóvel. Você paga de volta em parcelas mensais com juros ao longo de até 35 anos. O imóvel fica alienado ao banco até a última parcela — isso significa que o banco pode tomar o imóvel se você parar de pagar.
Os custos do financiamento incluem:
- Taxa de juros — a mais importante. Varia de 8% a 14% ao ano dependendo do banco e do score
- TR (Taxa Referencial) — indexador que corrige o saldo devedor na maioria dos financiamentos
- Seguro MIP e DFI — obrigatórios e embutidos na parcela
- Taxa de administração — cobrada mensalmente, em torno de R$ 25
SAC vs Tabela Price: qual escolher
| Característica | SAC | Tabela Price |
|---|---|---|
| Parcelas | Decrescentes — começam altas e diminuem | Fixas do início ao fim |
| Total pago em juros | Menor — você amortiza mais rápido | Maior — juros incidindo mais tempo |
| Melhor para | Quem pode pagar parcelas iniciais maiores | Quem precisa de previsibilidade |
| Amortização antecipada | Mais vantajosa | Menos vantajosa |
Para a maioria dos casos de longo prazo, o SAC é mais vantajoso financeiramente. A Tabela Price faz sentido quando você precisa de previsibilidade máxima no orçamento.
Como usar o FGTS no financiamento
O FGTS pode ser usado para:
- Dar ou complementar a entrada
- Amortizar o saldo devedor
- Pagar parte das parcelas
Para usar, é necessário: imóvel residencial urbano, não ter outro imóvel financiado pelo SFH, ter 3 anos de trabalho sob regime do FGTS e o imóvel ser para uso próprio. Para entender o saldo disponível e como sacar, veja nosso guia sobre como sacar o FGTS.
Como conseguir as melhores taxas de financiamento
- ✅ Aumente o score antes de simular — cada ponto de score pode reduzir a taxa
- ✅ Simule em pelo menos 3 bancos — as taxas variam significativamente
- ✅ Portabilidade de crédito — após 12 parcelas, você pode transferir para banco com taxa menor
- ✅ Use relacionamento bancário — clientes com longo histórico no banco conseguem melhores condições
- ✅ Dê maior entrada — quanto menor o LTV (loan-to-value), menores os juros
Com o financiamento aprovado, organize suas finanças para não deixar outras dívidas acumularem enquanto paga a parcela do imóvel. Veja como organizar as finanças do mês para acomodar a nova parcela sem comprometer a qualidade de vida.
Perguntas frequentes
Qual a renda mínima para financiar?
A parcela não pode comprometer mais de 30% da renda familiar bruta.
Qual o valor mínimo de entrada?
Pelo SFH, 20% do valor do imóvel. Com FGTS em programas habitacionais pode ser menor.
Posso usar o FGTS?
Sim, com requisitos: imóvel residencial urbano, sem outro financiamento SFH e 3 anos de FGTS.
Qual a diferença entre SAC e Price?
SAC tem parcelas decrescentes e paga menos juros. Price tem parcelas fixas e é mais previsível.
Score baixo impede o financiamento?
Dificulta muito. A maioria dos bancos exige score acima de 600.
Vale amortizar antecipadamente?
Geralmente sim, especialmente pelo SAC reduzindo o prazo.
Financiamento tem benefício no IR?
Juros de imóvel residencial não são dedutíveis. Para imóvel de locação, podem ser deduzidos.
Quantos financiamentos posso ter?
Pelo SFH, apenas 1 ativo por vez.
Conclusão
Financiar um imóvel é uma decisão de décadas — merece meses de preparação. Construa o score, junte a entrada, simule em vários bancos e entenda o contrato antes de assinar.
- ✅ Prepare o score e a entrada antes de iniciar o processo
- ✅ Simule em pelo menos 3 bancos — a diferença de taxa pode ser enorme
- ✅ Prefira o SAC para economizar em juros no longo prazo
Sobre o autor: Este conteúdo foi escrito e revisado por Carlos Eduardo Martins, especialista em finanças pessoais com mais de 12 anos de experiência ajudando trabalhadores brasileiros a tomarem decisões financeiras conscientes.